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domingo, 13 de janeiro de 2013

O pop rock reinventado de General Elektriks


Uma batida de pop rock, com timbres retrô, com o arranjo de teclados, clavinetes e sintetizadores, com toque de funk, hip hop e música eletrônica. Tudo isso com sotaque francês.

Estou falando do projeto General Elektriks, do pianista francês Hervé Salters. Ele iniciou o processo de construção das músicas em San Francisco, em 1999. A grande ideia foi misturar ritmos, acentuando o caráter vintage. Inspirado em Stevie Wonder, além de tocar super bem, Hérve também gosta de ser um tanto performático em suas apresentações.
O que conquistou mesmo foi a energia do projeto, de uma banda bastante competente e diferente. Outro membro do General que deve ser mencionado é Jessie Chaton. O baixista, também parisiense, faz umas danças muito engraçadas enquanto está tocando.
Em pouco tempo de carreira, Hérve já tocou com importantes nomes da música negra, a qual também Femi Kuti (filho de Fela Kuti, instrumentista nigeriano famoso nos anos 70) e o grupo de hip hop californiano Blackalicious.

Já são três álbuns na carreira: Cliquety Kliqk de 2003, Good City for Dreamers de 2009 e, o mais recente, Parker Street de 2011. E nada melhor que escutar os clipes dessa banda para ter certeza de que é muito boa!


Confira o vídeo do single:




E eis uma das minhas músicas favoritas:



sábado, 22 de setembro de 2012

A negra voz


Loira, rosto angelical, britânica. Se dependesse da aparência para ocupar a realeza, de certo estaria em um trono cravejado de esmeraldas e outras pedras reluzentes.  Mas quando se deixa fechar os olhos para escutar a voz da moça, é difícil não se lembrar da cantora Aretha Franklin.

E foi com a voz grave e impecável, o ritmo negro e muito carisma que a jovem Joss Stone conseguiu o destaque no soul e R&B mundial com apenas 16 anos. 

O seu primeiro álbum (The Soul Sessions) tornou-se o top cinco da parada musical da Inglaterra em 2003. São 10 músicas dos anos 60 e 70 de cantores renomados, incluindo a música "All the King's Horses" de Aretha.  "Super Duper Love" foi o seu segundo single, mas merece mais destaque que o primeiro, já que garantiu à cantora o posto entre os vinte músicos mais ouvidos na terra da Rainha. 

Em 2004, com o álbum Mind, Body & Soul, a cantora britânica mostrou que também é uma excelente compositora, sendo o cd totalmente autoral. Canções românticas, como "Spoiled" e "Right to Be Wron", e batidas negras (com muita bateria e contrabaixo) em "You Had Me" e "Don’t Know How", fizeram deste o álbum mais completo. 

O terceiro álbum da britânica foi Introducing Joss Stone. Mais um sucesso: o disco obteve o 12° lugar em vendas só na primeira semana, sendo vendidas 27.000 cópias. De lá pra cá, foram mais de onze milhões de álbuns vendidos, turnês em todo mundo, cinco prêmios Grammy e a consolidação do talento da “Diva do Soul”.


Dessa vez, com 25 anos e muita experiência musical na bagagem, Joss lança uma continuação da primeira “sessão de soul”: intitulado The Soul Sessions vol.2, o novo álbum da diva está com onze deliciosas melodias. A música de trabalho chama-se "(For God's Sake) Give More Power To The People". Podemos defini-la com uma palavra: contagiante. O ouvinte fica extasiado e com uma enorme vontade de dançar, com uma letra que faz uma dura crítica ao poder político e econômico, que desvaloriza o ser, recusa os valores humanos em prol do capital.

E para espalhar essa mensagem, Joss está fazendo uma turnê mundial. O Brasil está entre os países contemplados. Serão cinco shows em novembro, entre os dias 11 a 20, nas seguintes cidades: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre. Mais uma vez o nordestino terá de migrar para as regiões sudeste e sul para escutar boa música.

São várias as músicas que eu amo, mas destaquei apenas algumas. Confira e se apaixone:

Super Duper Love (álbum The Soul Sessions - 2003)




Snakes and Ladders (álbum Mind, Body &Soul - 2004)






Baby Baby Baby (álbum Introducing Joss Stone - 2007)






Karma (álbum LP1 - 2011)







While You're Out Looking For Sugar  (álbum The Soul Sessions vol.2 - 2012)


(For God's Sake) Give More Power To The People  (álbum The Soul Sessions vol.2 - 2012)




sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A metametalinguagem de Madonna

Foto: Marcus Piggott e Mert Alas
 Última resenha do #REC que estava escondidinha na gaveta. Agora é a vez de Madonna.

Clipes controversos capazes de preparar uma cama cheia de polêmicas. Essa é a arma (ou o trunfo sob os lençóis) que a diva Madonna tem se utilizado durante quase três décadas para se conservar no posto de rainha pop. Mesmo em tempos de concorrentes megalomaníacas, como Lady Gaga, Madonna indica que ainda não está pronta para abdicar do reinado. Com o vídeo de Girl Gone Wild, do décimo segundo álbum MDNA, a artista se inspira em elementos da própria carreira para se reinventar e para fabricar um novo produto. 

A partir do lançamento, no dia 23 de março, MDNA galopou rapidamente rumo ao ápice da lista de sucessos da revista Billboard. Porém, já na semana seguinte, ele amargou a maior queda de vendas para um disco que esteve em primeiro lugar (86,7%). A faixa Girl Gone Wild teve o mesmo destino e não emplacou no rádio como se era esperado. 

Apesar dos reveses, não se pode negar que o vídeo da música é uma surpreendente homenagem à própria carreira de Madonna. Lançado um pouco antes do cd, é dirigido pela dupla de fotógrafos Mert Alas e Marcus Piggott, que já haviam feito um ensaio com a diva para a revista Interview em 2010. O resultado da segunda parceria é um desfile de autorreferências e de metalinguagens. 

Madonna em Like a Prayer (1989) e em Vogue (1990).

Relembrando Like a Prayer, em Girl Gone Wild (em tradução livre, “A garota que ficou selvagem”), Madonna insinua falar com Deus e se diz “arrependida de coração por tê-Lo ofendido”. Apesar de “detestar meus pecados” e “querer tanto ser boa”, ela admite que é “uma garota má, no final das contas”, principalmente quando fica “na pista de dança até a luz do amanhecer chegar”. O próprio refrão, quando se ouve que “garotas querem apenas se divertir”, já remete aos anos 80 de Girls Just Want to Have Fun, de Cyndi Lauper, época em que Madonna também surge no cenário pop.

O vídeo é filmado em um preto e branco de contrastes, cuja aura natural de imponência e de drama é desestabilizada por uma imagem poluída por estáticas. Esse e outros elementos nele presentes são na verdade heranças de clássicos passados de Madonna. Os diretores reúnem em um só trabalho a intensidade do glamoroso Vogue, a sensualidade dos latejantes Erotica e Justify My Love e o sombrio do coreografado Human Nature. Inclusive, 
 Justify My Love e Human Nature mereceram até novas versões, usadas como plano de fundo em apresentações da MDNA Tour.



 

Justify My Love, Erotica e Human Nature são outros clássicos da diva

Temas como sexo e o universo gay são novamente resgatados às telas, agora de uma forma mais explícita. Os homens musculosos do grupo ucraniano Kazaky [os fortalezenses devem se lembrar bem né =p], de meia calça e saltos altíssimos, chocam ao dançarem tão sinuosamente quanto a artista e abalam a distinção entre os gêneros. Além disso, a ousadia dos fotógrafos de privilegiar a beleza estética do corpo masculino traz ao vídeo um olhar diferente.

O voluptuoso é ungido ainda com elementos que remetem à religião. Os antigos pingentes e brincos de cruzes voltam ao figurino de Madonna, enquanto ruídos na imagem e uma coroa de espinhos simulam episódios da crucificação de Cristo. A maçã, como o fruto proibido de Adão e Eva, aparece sendo devorada ao mesmo tempo por dois rapazes, talvez em crítica ao comportamento que rejeita homossexuais. Ou, simplesmente, em pura provocação, uma das qualidades mais exercidas pela cantora.

Porém, quem assiste ao clipe fica com uma sensação estranha de déjà vu. Isso porque o clima sombrio, as referências religiosas, o erotismo e o andrógeno se assemelham (e muito) a outra obra de sucesso, o controverso Alejandro, da rival/colega Lady Gaga. Até mesma a cena em que Madonna chora lágrimas negras parece uma reprodução, ou mesmo uma paródia, da capa alternativa do cd The Fame Monster, de Gaga.

Em Girl Gone Wild, é como se a mestra se autocopiasse a partir da pupila. É como se Madonna falasse de cantoras que imitam ela própria, que, por sua vez, também é cópia de celebridades, como Marilyn Monroe. A metametalinguagem, digamos assim, é o que há de mais interessante no vídeo. Ela é a prova de que a artista é dona de uma capacidade camaleônica de se reinventar. Aparentemente, Madonna não irá passar de vez a coroa de rainha do pop. Ao menos, não por espontânea vontade.


Veja o Girl Gone Wild:




E confira abaixo alguns dos clipes que serviram de inspiração:

Like a prayer - 1989



Vogue - 1990



Justify My Love - 1990



Erotica - 1992



Human Nature - 1995




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Nascida para morrer (?)


Já faz um tempinho que fiz essa resenha, mas aceitando revidar certas alfinetadas (#brinks, gente, hehehe), decidi postar a minha opinião sobre a cantora americana Lana Del Rey. Cada um tem seus pontos de vista, e com certeza entendo como muitos ficam terrivelmente entendiados ou com sono ao ouvir as músicas dela. Pra completar, sua figura está toda construída entorno de polêmicas [fabricadas ou não]. De qualquer forma, é só conhecendo as músicas de Del Rey para afinal você decidir se é um estorvo completo ou uma beleza incrível [espero que venha pro meu time ;D].

Desde que surgiu bombando na internet com o hit Video Games, em 2011, a cantora americana Lana Del Rey vem causando controvérsias. O motivo? O mistério do passado que a artista carrega nas costas. A polêmica que gravita em torno de si inflou-se ainda mais quando o primeiro disco oficial da carreira veio à tona para intrigar crítica e fãs. Born to Die, (“Nascido para morrer”, em tradução livre), vendeu um milhão de títulos em um mês e marca a vereda acidentada que a cantora tem trilhado. Ele deixa um agouro no ar: Lana sobreviverá no mercado da música pop?

Em verdade, esse não é o trabalho primogênito de Del Rey. Muito menos, o nome real da artista. Nascida como Elizabeth Grant e apelidada de Lizzy, a norte-americana já lançou em 2010 o cd Lana Del Ray a.k.a Lizzy Grant. O álbum foi rapidamente retirado da loja virtual iTunes, por razões escusas. Lábios avolumados e mudança de gravadora depois, Lana é acusada de ser uma fabricação de empresários da música.

A desconfiança aumentou com os shows ao vivo. Em janeiro, pouco antes do lançamento no dia 31 do novo disco, fez uma apresentação no programa Saturday Night Live, classificada como “desastrosa” pelos críticos. A postura tímida e o canto desajeitado colocaram em xeque a talentosa figura sexy que foi construída. Mas nada disso é capaz de ofuscar o brilho de Born to Die.

Não há como não se deixar seduzir pela voz rouca e sussurrada, ora grave, ora aguda, que interpreta as 12 canções do cd (ou 15 na versão especial). As faixas são saturadas de uma tristeza sombria de um passado sem data. Assim como outros ícones pop, ela é herdeira do saudosismo de épocas não vividas pelos jovens de hoje. Lana Del Rey une em uma só cantora a melancolia de Adele e as letras destrutivas e desregradas de Amy Winehouse.

Del Rey também chama a atenção do público pelos clipes que lança na internet. Video Games, o primeiro a atrair os olhares curiosos, é uma síntese de nostalgia e atemporalidade. O vídeo, em super-8 (tipo de película cinematográfica), mostra recortes de filmes antigos e cenas de desenhos animados. Carmen, Off to the Races e uma das versões de Blue Jeans seguem o mesmo estilo.

Apesar do sucesso da estética, Lana investiu em clipes mais adequados à indústria, sem perder a mão artística. Exemplos são os das músicas Born to Die (que dá nome ao trabalho) e a segunda versão de Blue Jeans. Na última, a simplicidade da piscina que serve como único cenário coexiste com a grandeza das cenas de lascívia e fatalidade, amplificadas pelo preto e branco. Aliás, em ambos os vídeos, Tânatos (personificação grega da morte) e Eros (deus grego do amor) andam lado a lado e se beijam constantemente com fervor.




Mas é inegável, mesmo àqueles que antipatizam com a moça, que o forte de Del Rey são as letras. É quando a poética se extravasa e talento da jovem se mostra em esplendor. Radio, oitava faixa, traz as tensões da fama, que se torna um imperativo de paixão, já que “me ame, porque eu estou tocando no rádio”. Em Without You, a petulância de celebridade se subjuga ao amor, quando “todos os meus sonhos e todas as luzes significam nada sem você”.

Essa emoção que as composições trazem já é prevista logo no início do disco, com a homônima faixa Born to Die. A cadência dolorosa do refrão assume que “às vezes o amor não é o bastante e a estrada fica difícil” e por isso “vamos nos embriagar, porque o caminho é longo (...) tente se divertir nesse meio tempo”. Mesmo assim, o fim é inevitável, então “escolha suas palavras finais, esta é a última vez, porque eu e você nascemos para morrer”.

Quer produto sintético de um laboratório industrial, quer genuíno talento, as músicas de Lana Del Rey encantam pela pura beleza. Talvez a cantora realmente tenha “nascido para morrer” no mercado e nunca mais faça algo de relevância. Apenas talvez. O que importa é que o álbum Born to Die dificilmente trilhará essa decadência. Lana conseguiu eternizá-lo, ao menos, como um dos melhores discos deste ano.

A doçura de Soko

Estava passeando pela linha do tempo do Ed e vi algumas músicas da Lana Del Rey. Ele vive falando sobre ela e ainda por cima fez uma resenha maravilhosa elogiando-a.

Eu, na minha total ignorância musical cult, pensava que era mais uma daquelas cantoras da Disney, a la Hanna Montana [ou coisa demoníaca].

Enfim, fui escutar a tal da Lana. Detestei. Deixo esse espaço para o Ed falar o quanto ela é maravilhosa e representa o big-bang musical do século XXI [ou não]. Mas, para ele não me dar um pontapé na bunda 0800, ouvi várias canções para constatar que nenhuma me atraía.

Então surgiu uma opção no youtube de uma tal de Soko. Fui escutar. Amei demais!

Soko é uma francesa, atriz desde os 16 anos, que teve vontade de cantar graças a um filme em que atuava em 2006. E de lá pra cá, ela vem criando canções com melodias doces, algumas letras bem adolescentes, "pieguíssimas", melodramáticas, mas que tocam bastante o heart de quem ouve. Alguns clips que ela fez lembram bastante a estética da Björk

Mas a música que mais gostei foi "I'll kill her". É o retrato da corna inconformada, mas com toda a delicadeza das princesas da Disney [que paradoxo in my mind!].


Se você quiser baixar ou escutar outras músicas dela é só clicar aqui.


Como eu adoro remix [e não nego], cá está uma versão da música que caiu no meu gosto e vai tocar direto no toca fita da sala! Espero que curtam!



sábado, 1 de setembro de 2012

George Israel relembra Cazuza

Oi, pessoal! Decidi colocar logo este post aqui para vocês porque queria atualizar o blog e mostrar que estou com muita vontade de ser cult.

Essa ida ao Centro Cultural do BNB foi em julho de 2011. Aproveitei as férias para dar uma passada por lá com meus amigos porque o George Israel ia se apresentar de graça, enquanto em uma famosa barraca de praia de Fortaleza o ingresso para o mesmo show sairia no mínimo 30 reais.

Tudo bem que quero ser cult, mas ainda "me falta-me o gramur"...

Enfim, confiram um vídeo que fiz de uma parte [mínima] do show. Esta música está no cd "13 parcerias com Cazuza", que eu tenho autografado! [morram de inveja]